Endereçamento de Estoque

Endereçamento de Estoque

Guia prático para os usuários do ERP — como cada posição do estoque recebe um “CEP” único, lógico e fácil de encontrar.

1. Por que endereçar o estoque?

Hoje cada item é encontrado “pela memória” de quem trabalha no setor. Isso funciona enquanto a pessoa certa está presente — e quebra quando ela falta, quando entra gente nova ou quando o item muda de lugar. A desorganização de um almoxarifado pode custar caro: itens extraviados, compras duplicadas do que já existe, perdas por validade e horas perdidas procurando material.

O endereçamento resolve isso: cada posição física do estoque recebe um código único — como o CEP de uma casa. Quem consulta o ERP vê o endereço do item e sabe exatamente onde ele está, sem depender de conhecer o estoque de cor.

Implantar o endereçamento é só o começo: com um ERP como o ERPNew, cada posição vira dados — e dados viram análise. Você ainda emite as etiquetas em QR Code, acelerando a localização e a coleta de informações no estoque. Menos procura, mais decisão.

A ideia em uma frase: o endereço descreve o lugar, não o produto. O produto pode mudar; o endereço do lugar nunca muda.

2. Orientação — a lógica do endereço (leia como um zoom)

A maneira mais fácil de entender o código é pensar nele como um zoom sucessivo: cada parte elimina o resto do estoque até sobrar uma única posição. Quem lê S-02-08-3-04 faz cinco aproximações mentais — zona → corredor → prateleira → altura → posição:

1 SETOR SALÃO E P porta S a zona do estoque: S · P · E (salão, porta, escada) 2 RUA 01 02 03 o corredor — a partir da porta ruas 01, 02, 03… 3 ESTANTE 07 05 03 01 RUA 02 08 06 04 02 a prateleira — ímpar esq. · par dir. nº par → lado direito 4 NÍVEL N4 N3 N2 N1 a altura — de baixo para cima nível 1 = chão 5 VÃO dentro do nível 3 01 02 03 04 a posição — esquerda → direita o vão exato do item S – 02 – 08 – 3 – 04 = S-02-08-3-04 SETOR ▸ RUA ▸ ESTANTE ▸ NÍVEL ▸ VÃO — cada parte é um zoom que aproxima mais
O funil do endereço: cada parte do código descarta o resto do estoque até restar um único vão.

Se você já viu o mapa de referência do armazém (o caso LJ352: galpão → corredor → coluna → nível), a lógica é a mesma. O nosso padrão acrescenta duas coisas: a letra do setor — para cobrir as prateleiras fora do salão (P = porta, E = escada) — e o vão, que aponta a posição horizontal dentro do nível.

Atenção à nomenclatura: na imagem de referência, “vão” designa a coluna/módulo inteiro da prateleira — o que aqui chamamos de estante. No nosso padrão, vão é a subdivisão dentro do nível: um grau a mais de precisão.
Ver a imagem de referência original (modelo “LJ352”, 4 partes) Mapa de armazenagem de referência: galpão LJ, corredor 3, coluna/vão 5, nível 2, gerando o endereço LJ352

Imagem-fonte (Gemini): LJ-C3-V5-N2 → LJ352. Este arquivo de imagem fica na mesma pasta do HTML — se copiar a página para outro lugar, copie o .jpeg junto.

3. O modelo em 30 segundos

Cada posição do estoque é identificada por 5 partes, do mais geral para o mais específico:

S– 02– 08– 3– 04
Setor Rua Estante Nível Vão
ParteFormatoSignificadoExemplo
Setor1 letraZona do estoque: S = Salão (fileiras paralelas), P = prateleiras da Porta, E = prateleiras da EscadaS
Rua2 dígitosCorredor entre fileiras de prateleiras, numerado a partir da porta02
Estante2 dígitosPrateleira ao longo da rua — ímpares à esquerda, pares à direita (como números de casas numa rua)08
Nível1 dígitoAltura da prateleira, contada de baixo para cima — 1 = nível do chão3
Vão2 dígitosPosição dentro do nível, da esquerda para a direita de quem olha a prateleira04

Lendo o exemplo acima: S-02-08-3-04 = Salão, Rua 02, estante 08 (par → lado direito do corredor), nível 3, vão 04.

4. O mapa do estoque

O salão tem fileiras de prateleiras paralelas, com corredores entre elas. Cada corredor é uma rua. Além do salão, existem prateleiras aproveitando espaço junto à porta e junto à escada — cada uma dessas zonas é um setor com letra própria.

SALÃO — SETOR S 11 09 07 05 03 01 RUA 01 12 10 08 06 04 02 11 09 07 05 03 01 RUA 02 12 10 08 06 04 02 11 09 07 05 03 01 RUA 03 12 10 08 06 04 02 SETOR E (junto à escada) corredor principal — circulação junto à porta SETOR P prateleiras da porta PORTA ESCADA acesso ao piso superior S-02-08-* → aqui (par = lado direito) Legenda estantes (números = nº da estante na rua) corredor de circulação (a “rua”) estante destacada no exemplo S-02-08-…
Planta ilustrativa. Ajuste a quantidade de ruas e módulos à realidade do seu salão — a regra de numeração não muda.

Os setores

LetraSetorUso recomendado
SSalão — fileiras paralelasEstoque geral, organizado em ruas 01, 02, 03…
PPrateleiras junto à portaZona nobre: itens de alto giro (Curva A), que entram e saem o tempo todo
EPrateleiras junto à escadaItens de baixo giro (Curva C), sobressalentes, material de apoio

Nos setores P e E a “rua” costuma ser 01 (há uma única fileira voltada para a circulação). Se um dia houver mais de uma fileira nesses pontos, numere 02, 03… — o formato do endereço é o mesmo.

Cresceu o estoque? Novo depósito, mezanino ou sala anexa → crie uma nova letra de setor (D, M…). Nunca repita endereço em lugares diferentes.

5. As regras de numeração (não invente, padronize)

5.1 Rua — a partir da porta, em ordem crescente

A rua 01 é o corredor mais próximo da porta. As demais seguem em ordem, indo para o fundo do salão. Assim, números menores = mais perto da expedição.

5.2 Estante — ímpar à esquerda, par à direita

Fique na entrada da rua, olhando para o fundo do salão:

  • estantes do lado esquerdo recebem números ímpares: 01, 03, 05, 07…
  • estantes do lado direito recebem números pares: 02, 04, 06, 08…
  • os números aumentam conforme você se afasta da porta — o primeiro módulo à esquerda é 01, o último ao fundo é o maior ímpar.

É a mesma lógica dos números de casas numa rua de verdade: pelo número você já sabe de que lado da rua procurar. 08 = lado direito; 07 = lado esquerdo.

5.3 Nível — de baixo para cima

O nível 1 é o primeiro acima do chão; 2, 3, 4… sobem. Nunca numere de cima para baixo: o nível 1 é onde ficam os itens mais pesados, e a ordenação no ERP colocará os endereços “baixos” primeiro.

5.4 Vão — da esquerda para a direita

Dentro de cada nível, os compartimentos (vãos) são numerados 01, 02, 03… na direção em que se lê: da esquerda para a direita de quem está no corredor olhando a prateleira. Se o nível não tem divisórias, o vão é 01.

N4 N3 N2 N1 nível (de baixo p/ cima) vão 01 vão 02 vão 03 vão 04 vãos: esquerda → direita S-02-08-3-04
Vista frontal da estante 08 (lado direito da Rua 02). A célula destacada é o endereço S-02-08-3-04.

6. Encontrando um item na prática

O ERP mostra: S-02-08-3-04. O caminho mental é sempre o mesmo:

  1. S → o item está no Salão. (Se fosse P, você já iria direto às prateleiras da porta.)
  2. 02 → entre pela Rua 02 — o segundo corredor a partir da porta.
  3. 08 → número par: lado direito do corredor. Caminhe até a estante 08.
  4. 3 → olhe o terceiro nível contando de baixo.
  5. 04 → o 4º vão da esquerda para a direita. Item na mão.
Teste rápido: onde fica P-01-03-2-01?
→ Setor da Porta, fileira 01, estante 03 (ímpar → lado esquerdo), nível 2, primeiro vão.

7. Onde colocar cada produto

Endereço certo não é só “cada coisa no seu lugar” — é cada coisa no lugar estratégico:

7.1 Curva ABC define a distância da porta

ClassePerfilOnde endereçar
A~20% dos itens, ~80% do giroSetor P e primeiras ruas do salão, em níveis 2–3 (altura das mãos e dos olhos)
BGiro intermediárioRuas intermediárias do salão
CBaixo giro, volumoso ou raroFundos das ruas, níveis mais altos/baixos, setor E

A lógica é simples: o que sai toda hora fica perto da porta e na altura confortável; o que quase nunca sai pode ficar no fundo ou no alto.

7.2 Verticalização: pesado embaixo, leve em cima

  • Níveis 1 e 2 → itens pesados e caixas grandes (segurança — NR-11 — e ergonomia).
  • Níveis 2 e 3 → itens de giro rápido (altura ideal de manuseio).
  • Níveis superiores → itens leves, de baixo giro ou de reposição.

7.3 FIFO/PEPS: o primeiro que entra é o primeiro que sai

Ao repor um item que já tem estoque:

  • o material novo entra atrás (ou embaixo), o antigo fica na frente (ou em cima) — na posição de retirada;
  • quem vai separar sempre pega o que está na frente: automaticamente o mais antigo sai primeiro;
  • para itens com validade, vale o FEFO/PVPS: sai primeiro o que vence primeiro — confira a data, não só a posição.
Por que isso importa: empurrar o estoque antigo para o fundo ao repor é a principal causa de material vencido e obsoleto encontrado em inventário.

7.4 Um endereço, uma família de itens

  • Não misture itens diferentes no mesmo vão — se precisar subdividir, subdivida o vão (use caixas/bin identificadas).
  • Não “espalhe” o mesmo item por vários endereços sem necessidade; se o item crescer, dê a ele o endereço vizinho e cadastre os dois no ERP.

8. Etiquetas e sinalização

O endereçamento só funciona se for visível no físico, não só no sistema:

  • Placa de rua no início de cada corredor: RUA 01, RUA 02… visível de longe.
  • Etiqueta de estante em cada módulo, na altura dos olhos, com o número da estante.
  • Etiqueta de endereço completo em cada vão utilizado.
  • Identificação de setor nas prateleiras da porta e da escada: SETOR P, SETOR E.
  • Imprima em material resistente (adesivo plastificado ou placa) — etiqueta de papel comum não sobrevive ao estoque.
S-02-08-3-04
Salão · Rua 02 · Estante 08 (dir.) · Nível 3 · Vão 04
S-02-08-3-04

Modelo de etiqueta de endereço

9. Checklist de implantação

  1. Desenhe a planta: conte as fileiras do salão e marque as prateleiras da porta e da escada. Defina as letras de setor.
  2. Numere as ruas a partir da porta em direção ao fundo: 01, 02, 03…
  3. Numere as estantes de cada rua: ímpares à esquerda, pares à direita, crescendo porta → fundo.
  4. Marque níveis e vãos: níveis de baixo para cima; vãos da esquerda para a direita.
  5. Fixe as etiquetas de rua, estante e vão antes de cadastrar no sistema.
  6. Cadastre os endereços no ERP e vincule cada produto ao seu endereço.
  7. Migre com conferência: ao mover o item para o endereço, confirme quantidade — aproveite para fazer um mini-inventário.
  8. Regra de ouro: item sem endereço não entra no estoque; item fora do endereço é recolocado no mesmo dia.
  9. Auditoria periódica (5S): semanalmente, verifique se o físico bate com o ERP — endereço vazio no sistema mas cheio no físico (ou vice-versa) é sinal de falha no processo.

10. O que NÃO fazer

  • Não coloque código de produto no endereço. O endereço é do lugar; o produto mora lá temporariamente. Se o produto mudar, o endereço continua.
  • Não numere nível de cima para baixo — inverte a lógica e confunde todo mundo.
  • Não use nomes, apelidos ou cores como endereço (“perto da janela”, “prateleira azul”) — não escala e não funciona no ERP.
  • Não mude um item de endereço sem atualizar o ERP — é pior que não ter endereçamento: o sistema mente.
  • Não deixe áreas “sem dono”: caixa no chão ou palete encostado precisa de endereço também — crie endereços de chão (S-00-01…) se necessário.
  • Não reutilize endereço de outra zona — duplicou endereço, perdeu a confiabilidade do sistema inteiro.

11. Referências

  • Viasoft — Gestão de materiais: dicas para minimizar perdas e ter um estoque saudável: viasoft.com.br/blog
  • Isoflex — Otimize a rotina do seu estoque com o sistema FIFO (PEPS): isoflex.com.br
  • Storage Guarda-Tudo — Como organizar um almoxarifado (endereçamento, Curva ABC, FIFO × FEFO, 5S): storageguardatudo.com.br/blog